De Onde Viemos e Para Onde Vamos

De onde viemos?

Do MUNDO RACIONAL e por isso é a causa da nossa origem de Racional, na condição de animal e que foi denominado animal de origem Racional.

Existe lá em cima uma grande planície onde vivem os Racionais, muito maior do que este mundo. Vivem eles com seu progresso de pureza. Sim; puros, limpos, sem defeitos, diferentes dessa bicharada. E nesta planície, havia uma parte que não estava pronta para entrar em progresso. E uns tantos Racionais entraram por esta parte, várias vezes e foram chamados a atenção; e numa das vezes não atenderam ao chamado de atenção, começando a progredir por conta própria, e esta parte, não estando pronta para entrar em progresso, começou a deformar-se.

O princípio e a origem desse mundo assim foi. Começando a progredir por conta própria, na parte que ainda não estava pronta, ao invés de irem para frente, foram para trás; ao invés de irem para melhor, foram para pior; porque esta parte não estava pronta.

Então esta parte começou a deslocar-se da planície. Conforme iam progredindo, veio descendo, e veio descendo sempre, até chegarem a essa conclusão que aí está, dentro de um buraco, olhando cá para cima e não sabendo de onde tudo isso surgiu. Conforme iam progredindo, a parte ia descendo mais, e assim foi aos pouquinhos, e eles também se acostumando e achando que iam muito bem.

Então, com um certo tempo, conforme iam se deformando ia a planície baixando cada vez mais, e eles perdendo as virtudes, como qualquer coisa que se transforma em outra.As virtudes perdidas, começaram a se reunir, depois de todas reunidas geraram aí, com o tempo, a formação de uma luz fosca prateada; e quanto mais eles progrediam, mais essa parte ia descendo, mais se deformando e quanto mais se deformavam, mais perdiam as virtudes e mais esse foco aumentava e com o tempo, esse foco começou a esquentar. Está aí a origem do sol. Começou a esquentar aos pouquinhos, e eles, cada vez mais perdendo as virtudes e conforme perdiam as virtudes, os corpos iam diminuindo e esse foco cada vez maior, porque nele, iam se reunindo as virtudes que eles iam perdendo; depois então de um certo tempo, esse foco cada vez mais quente ficava, mais ajudava a deformá-los.

E assim, esse foco cada vez mais quente, começou a esquentar o pedaço desta planície em que eles vinham progredindo, cada vez aumentando mais o seu calor e tudo se deformando cada vez mais, e saindo desta parte uma resina que, com o calor, começou primeiramente a empolar, depois de toda empolada começou a ficar queimada, depois de queimada, torrada, depois de torrada, virou cinzas; não sendo nessa ocasião toda por igual, e sim, em diversos lugares. E a outra parte da planície, com o calor, começou a se derreter, ficando mole, de mole, gomosa, tornando-se um líquido grosso; com o tempo, mais fino, virando água.

Está aí como foi feita a água. Então, esses corpos, que já estavam por vir se deformando, aproximavam-se da sua extinção, e a luz esquentando cada vez mais, e conforme esquentava, tudo ia se deformando até que, com o tempo, extinguiram-se todos os corpos Racionais; perderam todas as virtudes, vindo assim, a transformação desses corpos para outros corpos. Os que ficaram em cima da parte gomosa e ali se extinguiram, que ali ficaram, formaram, com o tempo, os corpos masculinos e os corpos que ficaram em cima da resina já deformada em cinza, geraram aí, outros corpos, surgindo o sexo feminino. Aí, os corpos ainda eram diferentes desses, como são.

O foco de luz esquentava cada vez mais, a parte gomosa virando água, numa grande extensão, e esta água penetrando nesta cinza da resina, com o tempo a fez apodrecer, começando a gerar micróbios. Nesta altura é que começou a geração dos corpos. A água penetrou na cinza, apodrecendo-a, e apodrecendo também, diversas partes da goma, formando aí, pela própria natureza, os corpos completamente diferentes desses.

Para a formação desses corpos durou muito e depois desses corpos feitos, começaram a procurar se entender da melhor forma possível e com o tempo, conforme vinham se deformando, iam se desenvolvendo cada vez mais. E por serem viventes, tinham forçosamente, com o tempo, que chegarem aos entendimentos. Esse progresso, entre eles, não era nenhum.

O foco cada vez esquentava mais e tudo se deformava. Conforme ia se deformando, vinha tudo descendo e esses corpos, com o tempo, já bem desenvolvidos em tudo. Começaram a se entender por meio de acenos e mais tarde, por meio de urros. Não se alimentavam nesse tempo; eram alimentados pela própria natureza. Tudo vinha se deformando cada vez mais, devido à luz, o foco, ir esquentando cada vez mais, até deformar-se em um verdadeiro brasão que é o sol.

E assim, esses corpos sendo, ou passando por diversas modificações, por a natureza vir se deformando; começaram a transformar-se, nascendo nos próprios corpos dos viventes, aquilo que não existia: olhos, boca; começando os corpos a entrarem mais ou menos em outra forma. Nesse tempo não tinham cabelos nem unhas, eram deformados, mas muito piores do que nesta deformação em que vivem.

E conforme ai se deformando tudo, os corpos iam se modificando, passando por uma certa eternidade que parecia se resumir naquilo mesmo. Como agora, estão aí nesse mundo, tendo já passado por uma eternidade; compreendem-se mais ou menos e pensam que nunca mais o mundo passará disso. Pensam que a vida é essa mesma e que não passará dessa condição.

Na primeira fase da transformação para o princípio dessa deformação, os corpos eram completamente diferentes. E o foco de luz cada vez esquentava mais. As outras partes da planície, por se derreterem, ficaram derretidas de uma vez, e os corpos, em modificações sempre até chegarem a um certo ponto já mais ou menos formados; já enxergavam, mas eram surdos e mudos. Passaram assim, uma grande eternidade. Sim, que hoje julgam-se adiantados e não nascem falando nem entendendo coisa alguma e só mais tarde, tendo quem os ensine, que fará naquele tempo.

Passaram uma grande eternidade assim, surdos, mudos; só enxergavam. Depois, com o tempo, é que passaram a ouvir. Levaram outra grande eternidade assim. Mais tarde, começou a nascer a voz; urravam e guinchavam. Em todas essas eternidades, eram eternos e só o que imperava era a luz, mas não tão quente como agora, depois da deformação completa. Então, se entendiam por meio de acenos; depois dos acenos, por meio de urros e guinchos e em cada fase dessas, pensavam que iam sempre perdurar naquilo. Como agora, pensam que o mundo é toda a vida assim.

A luz, ia aumentando sempre o seu calor, fazendo a deformação completa da resina e da goma. Apesar de goma por cima, era água por baixo, e tudo se derreteu de uma vez. Conforme o calor ia aumentando, ia derretendo, descendo mais e descendo até chegarem no ponto em que estão, dentro de um buraco, olhando lá para cima.

Na eternidade em que se entendiam por meio de urros e guinchos, já estavam adiantados e com o tempo, começaram a gaguejar, levando uma eternidade muito grande com a gagueira; não compreendiam nada porque não sabiam falar.

Um gago não sabendo falar, fica só gaguejando e eles não tinham quem os ensinasse. Com o tempo começaram a ficar mais desembaraçados; gagos mais adiantados. A voz começou a se abrir e eles soltando-a cada vez mais um pouco. Enquanto isso se passava, tudo vinha descendo lentamente, porque o sol aumentava o seu calor, e esquentando, aumentando esse calor, a parte de baixo ia se deformando e conforme se deformava, virava cinza, ia baixando, ia descendo.

Com o tempo, passaram a gagos mais adiantados, começando a querer falar, mas sem noção do que diziam. Cada fase dessas, levava uma eternidade muito grande, parecia que não estava de toda deformada, não eram de todo bichos, não dormiam.

É a mesma coisa: uma árvore, quando nasce, não mostra o que vai ser; depois de grande é que ela começa a criar galhos. Galhos para aqui, galhos para acolá. Depois de formada, é que vai dar o seu fruto. E assim, eram os corpos, não ficavam logo formados como são.

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